domingo, 29 de agosto de 2010

Provérbio brasileiro.

Arrumar gavetas faz você reencontrar lembranças que considerava literalmente engavetadas. É mais fácil esconder coisas do que sentimentos.
Dá para amassar bilhetes, picar cartas, sumir com fotos. Mas as lembranças saem do fundo da gaveta quando você menos espera.
Junto com elas, lágrimas e sorrisos. Lágrimas por conseguir sorrir. Sorrir por não mais chorar.
Se conseguires fechá-la com o mesmo anseio de um ato antes, você se encontra em um estágio onde viver um novo amor deveria ser uma prioridade. Caso contrário, entregar-se à coisas novas é a melhor saída. Da mesma forma. Vice-versando. Afinal, coração que não ama é coração morto.
Podemos sentir mudanças acontecendo justamente quando nada parece estar no lugar em que deveria estar. É porque tudo está se movimentando.

E o tempo passa. Tudo acontece e se modifica. Senão do nosso jeito, do jeito certo!


sábado, 21 de agosto de 2010

Sensação inominável.

Quanto mais se tem, mais se quer. Quando não tem, é o que mais se deseja.
Meu desejo, meu querer, minha improbabilidade.
Quase me ama, quase está comigo, quase meu futuro, todo o meu amor. Passado.
Meu horizonte flutuante. O costume mais delirante.
Impaciência. Nome próprio.
Oito ou oitenta. Quarenta e quatro não chama atenção.


A qualquer tempo é o tempo certo para recomeçar.

sábado, 7 de agosto de 2010

Nosso futuro num pretérito.

Eu buscaria você sem sequer ter um motivo.
Eu te encontraria onde o sol se esconde, e te beijaria como se fosse uma primeira vez.
Te amaria como se fôssemos apenas um. E se eu tivesse a certeza que poderiamos permanecer e pertecer igualmente como naquele momento - assim como foi desde sempre - nada ocuparia o primeiro lugar.
Seria possível iluminar, assim como o sol, tudo que tocássemos, e até onde nossa respiração apaixonada alcançasse.
Na verdade eu iria sair do lugar onde agora me encontro pra te procurar se eu não tivesse a certeza de que quando eu chegasse lá você há muito não seria mais quem eu procurava.
E pra provar que toda essa certeza não é absurda... Você não me faria pensar em cada palavra escrita neste texto com lágrimas nos olhos. Chorar de raiva. E usar a maioria de todos esses verbos no Futuro do Pretérito Simples.
É, eu iria.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Mal necessário.

Sou a febre que lhe queima mas você não deixa. O sangue bombeado a cada batida de seu coração, sendo levado a toda parte de seu corpo. O sorriso espontâneo presente no pensamento falado. A crise de histeria combinada à falta que te faço.
Sou a sua preferência de cor, música e filme. A sua comida. Sou o lugar que te transmite esperanças. A melhor parte da dança.
Sou quem dá e recebe todo prazer camuflado em cada ato.
Sou a sua voz que grita mas você não aceita. O ouvido que lhe escuta quando as vozes se ocultam.
Sou o passado mais presente do nosso futuro incerto. O sim e o não do correto. A paz que reina ao seu redor. O timbre que nos equaliza numa sintonia só.
Sou seu passo perdido quando não encontras o caminho. Sou a intensidade do carinho.
Sou a outra parte da tua face. Da moeda. A cara metade.
Sou o amor que dei e o amor que tive.
Sou o machucado presente, a alegria testemunhada. Eu sou o objetivo alcançado. A sua concentração.
Sou o seu interior. Sua canção de ninar. A emoção explícita que deixa ser transmitida pelo tom de sua voz.
Sou todo um conjunto de fatores que você consegue entender tão bem.
Sou o novo, o antigo, a renovação do minuto.
Consigo ser o imperfeito. O contraste e a contradição.
Eu sou toda a sua complexidade. Eu sou o que fomos.

E ao final percebo que acabo falando por mim. Ocultação da segunda pessoa do singular.
Você era, e continua sendo tudo isso. E eu sou apenas quem fala e não sabe o que sente. Eu fui a prioridade.



-


Inspirada numa canção do Mauro Kwitko. Na voz do Ney Matogrosso.